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Elas, as crianças, saíram à rua para pedir cidades para elas

Cidades para brincar, cidades mais seguras e cidades onde também se possa andar de bicicleta. Eis alguns dos pedidos que levaram algumas centenas de crianças e adultos a ocupar as avenidas de Alvalade no passado domingo.

Pedalaram com os pais e mães, mas o pedido que fizeram não foi apenas para “mais bicicletas” – também pediram ruas mais seguras, zonas onde se circule a 30 km/h e “ruas para brincar”. Na primeira Massa Crítica de Crianças, entre 300 e 400 pessoas saíram à rua neste domingo de manhã e percorreram de bicicleta a Avenida do Brasil e a Avenida de Roma, um percurso circular que começou e terminou na zona do Campo Grande.

A Massa Crítica de Crianças (ou KidicalMass) é uma iniciativa global que se realiza pela mesma altura em várias cidades do mundo. Este ano, é a primeira vez que acontece em Portugal em 20 localidades diferentes, em dois fins-de-semanas diferentes – este e o próximo. Entre 13 e 15 de Maio, houve KidicalMass em Alfragide, Cascais, Mafra, Massamá, Lisboa e Barreiro; no dia 21 há em Almada e no dia seguinte em Oeiras.

As Massas Críticas de Crianças estão a ser organizadas por um colectivo informal e espontâneo de pessoas – maioritariamente mães e pais com filha(o)s – de norte a sul de Portugal, preocupadas com a excessiva dependência do automóvel na mobilidade e do seu impacto no desenvolvimento das crianças. Várias associações nacionais e locais decidiram apoiar e juntar-se à iniciativa, como a Abimota, que representa a indústria nacional da bicicleta, a ACA-M (Associação de Cidadãos Auto-Mobilizados), a Bicicultura, a Cicloda, a FPCUB, a MUBi ou a Pedalar Sem Idade.

A chuva forte que caiu na manhã de domingo terá desmobilizado algumas pessoas à última hora. Mas à hora do passeio – que tinha início marcado para as 10h30 junto à Reitoria da Universidade de Lisboa – a meteorologia ajudou. Várias crianças e adultos percorreram a Avenida do Brasil, viraram para a Avenida Rio de Janeiro, atravessaram a Avenida da Igreja e na Praça de Alvalade viraram para a Avenida de Roma. Dando uma volta à Praça de Londres, regressou-se à Avenida de Roma e daqui ao Campo Grande. O encontro terminou com um almoço em forma de pic-nic e um convívio neste Jardim.

O trajecto foi acompanhado pela PSP, que encerrou parcialmente os arruamentos ao trânsito motorizado, uma vez que a iniciativa teve o enquadramento de uma manifestação. Os participantes pedem m envolventes escolares seguras e livres de poluição do ar, ruído e tráfego motorizado de atravessamento, rotas seguras para as escolas, leis de trânsito rodoviárias amigas da criança com uma visão de zero atropelamentos como premissa máxima, limite de 30 km/h nas localidades e ruas de bairros, ciclovias largas, contínuas e com cruzamentos seguros em estradas principais, e mais espaço público dedicado à mobilidade ativa e para estar/brincar.

A KidicalMass veio para Portugal pela mão de Rita Ferreira, que depois de assistir a uma conferência sobre mobilidade escolar em Guimarães no ano passado começou a juntar pessoas interessadas pelo tema num grupo de WhatsApp, que hoje conta com 82 participantes, entre pais, mães, professores e professoras, de 24 localidades diferentes. Organizar esta Massa Crítica de Crianças não teria sido possível sem esse passo, conta-nos. No fim-de-semana de 24 e 24 de Setembro está prevista mais uma manifestação do género, que deverá contar, à semelhança desta, com esforços de todo o país.

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