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“A rua é para as pessoas” – no domingo, a Almirante Reis vai trocar os carros por um piquenique

O troço descendente entre a Alameda e a Praça do Chile vai estar cortado ao trânsito para um piquenique-manifestação, a realizar-se no próximo domingo, 29 de Maio, entre as 17 e 20 horas.

Fotografia de Lisboa Para Pessoas

O troço da Avenida Almirante Reis entre a Alameda e a Praça do Chile, no sentido descendente, vai estar cortado ao trânsito no próximo domingo, 29 de Maio, entre as 17 e 20 horas. Motivo? Um piquenique com sabor a manifestação “pelo direito à cidade”. A proposta é ocupar a estrada e promover um convívio durante três horas no asfalto. O trânsito será desviado pela PSP no local, que já autorizou a realização desta acção de protesto.

Com a ciclovia como pano de fundo, o piquenique está a ser organizado “por membros activos das comunidades de utilizadores de bicicleta e da justiça climática” e pretende “reivindicar a ocupação regular do espaço público para as pessoas”, segundo um comunicado enviado às redacções. De acordo com a organização, a manifestação tem não só a ver com a controversa ciclovia (as obras para a nova configuração arrancaram na semana passada), mas também com uma eventual devolução ao automóvel de espaço que tinha sido alocado ao comércio local.

“O executivo municipal, encabeçado por Carlos Moedas, pretende avançar com a degradação das ciclovias e da mobilidade na cidade. A decisão é uma só: mais carros nesta cidade. Mais carros, mais emissões, menos bicicletas, menos pessoas a andar nas ruas. É uma decisão reiterada de escolher o passado, contra o conjunto da sociedade, obcecado com o privilégio projetado pelo marketing publicitário associado aos automóveis. Não responde ao que a cidade precisa, ao que os transportes e a mobilidade precisam e e empurra-nos para o passado. A nossa visão é uma cidade de proximidade, onde à habitação e a mobilidade são pensados para as pessoas, queremos mais moradores, mais árvores, mais espaços culturais e menos especulação imobiliária, menos alcatrão, menos automóveis, ruído e CO2.”

– organização

O protesto inspira-se no Pic Nic The Streets, um movimento que nasceu em Bruxelas sacudindo o coração da cidade com uma série de manifestações de rua e piqueniques.

Este movimento incorporou como uma das prioridades principais da qualidade de vida urbana um espaço público que não seja apenas funcional ao fluxo de automóveis, mas que dê espaço para jovens e idosos, crianças e pessoas vulneráveis, bicicletas e transportes públicos. Depois de uma série de protestos e piqueniques, a Boulevard Anspach de Bruxelas transformou-se na maior área pedestre do centro urbano da Europa.

O piquenique na Avenida Almirante Reis – ou, pelo menos, no troço entre a Alameda e a Praça do Chile – deverá começar às 17 horas. Os organizadores apelam à participação de “vizinhos de toda a cidade, de utilizadores de bicicleta, ambientalistas, defensores da habitação social, dos transportes públicos e que, em geral, estejam interessadas na construção de uma visão partilhada de cidade, que não obedeça aos critérios retrógrados da especulação imobiliária e da circulação automóvel para poucos em vez de habitação, transportes e mobilidade para toda a gente”, como referem na mesma nota. As pessoas podem trazer mantas, toalhas e cestos de piquenique para alimentar o debate e as pessoas.