Avançar para o conteúdo

Descemos ao túnel de Metro mais profundo da cidade

É na Estrela que ficará a estação de metro mais profunda da cidade: 54 metros abaixo da superfície. Já há túnel a ligar o Rato à Estrela, e as obras avançam agora em direcção a Santos e ao Cais do Sodré.

Fotografia de Mário Rui André/Lisboa Para Pessoas

Botas robustas, colete amarelo, capacete e um cartão magnético para passar à entrada. O acesso às obras de expansão do Metro de Lisboa, que têm estado a decorrer na zona da Estrela, é realizado com todas as cautelas. Jornalistas e comitivas políticas tiveram um pequeno briefing de segurança e foram depois convidados a descer por um pequeno elevador provisório e depois por umas escadas. Sensivelmente 54 metros depois e estávamos lá em baixo, onde futuramente será a estação da Estrela, a mais profunda da cidade.

Vamos a números: a estação da Ameixoeira com 42 metros e a de Baixa-Chiado com 38 metros são, de momento, as duas mais profundas da capital. nascerão as duas novas estações da Estrela e de Santos da futura Linha Circular até 2023. A estação da Estrela será também uma das mais profundas da Europa – só Hampsted, em Londres, é mais profunda, com 58 metros. A localização em profundidade dos cais da estação Estrela vai exigir um conjunto de seis elevadores de grande capacidade e de duas escadas rolantes a fazer a ligação ao átrio.

A visita às obras de expansão do Metro de Lisboa decorreu no passado sábado, 28 de Maio, de manhã, no dia em que foi assinado o documento que formaliza o início dos trabalhos do chamado Lote 2 da Linha Circular – a empreitada de execução do túnel entre a estação Santos e o término da estação Cais do Sodré, e a ligação do novo túnel da estação Rato à futura estação da Estrela. A cerimónia contou com a presença do Ministro do Ambiente e da Acção Climática, Duarte Cordeiro, do Secretário de Estado da Mobilidade Urbana, Jorge Delgado e do Presidente do Conselho de Administração do Metropolitano de Lisboa, Vitor Domingues dos Santos.

Vítor Domingues dos Santos realçou que a empreitada que agora se inicia vai ser mais exigente ao “obrigar a novos horários, percursos e hábitos”, com implicações na circulação tanto na Avenida Carlos I, junto ao antigo edifício do Regimento de Sapadores Bombeiros de Lisboa, onde se situará a estação de Santos (que terá um elevador a fazer a ligação à Madragoa), como na zona do Mercado da Ribeira, onde existirá uma nova saída da estação do Cais do Sodré, devidamente ligada à estação de comboio. A ambição do Metro de Lisboa é “ser a o eixo central da mobilidade na Área Metropolitana de Lisboa”, disse o responsável.

Já Duarte Cordeiro, Ministro do Ambiente e da Acção Climática, reforçou que “o caminho da neutralidade carbónica é o que permite maior crescimento, riqueza e coesão territorial” e que, por isso, “descarbonizar é bom para a economia e para o nosso modelo de sociedade”. Sem investimento em transporte colectivo, “não será possível atingir as metas ambientais” com que Portugal se comprometeu, realçou ainda Duarte Cordeiro, apontando a conclusão da Linha Circular para o segundo semestre de 2024, como tem sido previsto.

Esta nova extensão contará com duas novas estações e com dois quilómetros de rede, unindo as Linhas Amarela e Verde entre o Rato e o Cais do Sodré, num novo anel circular no centro de Lisboa. As actuais ligações na zona do Campo Grande vão permanecer, pelo que em teoria poderão ser levados comboios da futura Linha Amarela até ao centro da cidade como acontece actualmente (o PS de Odivelas tem referido que tal será feito às horas de ponta) ou dar outro desenho ao serviço do metro, como a já falada “linha em laço”.

O contrato do Lote 2 foi adjudicado ao consórcio Metro Santos Sodré ACE, constituído pelas agrupadas Mota Engil, Engenharia e Construção, SA / Spie Batignolles International, sucursal em Portugal, com o prazo global de execução da empreitada de 960 dias após a sua consignação. Este contrato tem o preço contratual de 73,5 milhões de euros, acrescido de IVA.

A execução da Linha Circular está dividida em quatro lotes:

  • o Lote 1 envolve a execução dos toscos entre o término da estação do Rato e a estação de Santos, estando neste momento concluído o túnel entre o Rato e a Estrela;
  • o Lote 2 engloba a execução dos toscos entre a estação de Santos e a estação do Cais do Sodré;
  • o Lote 3 visa a construção de dois novos viadutos e ampliação da estação do Campo Grande, e também já está em andamento;
  • e o Lote 4 envolve a construção dos acabamentos e sistemas dos Lotes 1 e 2. Para este Lote 4, foram apresentadas quatro propostas que se encontram em fase de análise para se proceder à contratação.

A implementação da Linha Circular reorganizará, segundo o Metro de Lisboa, a mobilidade metropolitana, com mais nove milhões de novos passageiros na rede no primeiro ano de exploração, menos 3,4 mil viaturas individuais a circular diariamente e menos 4,1 mil toneladas de CO2. Para a Linha Circular prevê-se um investimento de 240,2 milhões de euros, cofinanciado em 137,2 milhões de euros pelo Fundo Ambiental e em 103 milhões de euros pelo Fundo de Coesão, através do POSEUR – Programa Operacional de Sustentabilidade e Eficiência no Uso de Recursos.