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As implicações que as obras de drenagem vão ter na mobilidade de Lisboa

Da Almirante Reis à Avenida da Liberdade, passando por Santa Apolónia. As obras de drenagem irão ter implicações nos nossos hábitos de mobilidade, mas são importantes para o futuro da cidade.

Condicionamentos na Avenida Almirante Reis (imagem via CML)

Para que situações de cheias em contexto de temporal – como aquele que experienciámos há pouco tempo – não se verifiquem ou sejam, pelo menos, atenuadas, Lisboa vai realizar um conjunto complexo de obras ao abrigo do seu Plano Geral de Drenagem. Durante dois anos, a partir de 2023, existirão sete frentes de obra na cidade para a construção de dois megalómanos túneis no subsolo, que irão transportar água recolhida na cidade para o rio, controlando as águas pluviais e reduzindo os riscos de cheias e inundações em Lisboa.

A execução deste plano é essencial para o futuro da cidade, conforme detalhámos em Maio. A autarquia chama-lhe “a obra invisível que prepara Lisboa para o futuro” porque, na verdade, é isso mesmo. O Plano Geral de Drenagem de Lisboa (PGDL) procura preparar a cidade para as alterações climáticas, e para a maior probabilidade de ocorrência de cheias e inundações no futuro. O PGDL tem vindo a ser desenvolvido ao longo de duas décadas, com a criação de bacias de retenção em vários pontos da cidade, como no Vale da Ameixoeira ou no Parque Eduardo VII. A construção dos túneis subterrâneos é a parte mais cara do plano e resultará num investimento superior a 132,9 milhões de euros.

A obra, que estará a cargo do consórcio Mota Engil / SPIE Batignolles Internacional, consistirá na escavação de dois túneis de drenagem que irão conduzir a água da chuva para o rio: um entre Monsanto e Santa Apolónia (4,6 km) e outro entre Chelas e o Beato (1 km). A construção desses túneis será feita por uma tuneladora, cujas peças chegaram em Setembro e que estão agora a ser montadas num estaleiro em Campolide, localizado num espaço verde. A tuneladora – baptizada de H2OLi – tem cerca 130 metros de comprimento, 6,4 metros de diâmetro externo e uma cabeça de corte de 70 toneladas. Esta gigante máquina irá perfurar o solo até determinada profundidade e escavar aí os túneis.

Os trabalhos de perfuração dos dois túneis do Plano Geral de Drenagem de Lisboa deverão avançar no início de 2023, ou seja, mais tarde do que inicialmente planeado – previa-se o arranque ainda neste ano. No entanto, a conclusão das obras continua prevista para 2025. A intervenção terá impacto na cidade pelos constrangimentos que irá causar ao nível da mobilidade, incluindo na Avenida Almirante Reis/Rua Antero de Quintal e na Avenida da Liberdade. Mas haverá ainda implicações na Rua de Campolide, na Rua de Santa Marta/Rua Barata Salgueiro, em Santa Apolónia, em Chelas e no Beato.


O que vai acontecer na Almirante Reis?

A intervenção na Almirante Reis irá implicar um corte de um troço da ciclovia na intersecção com a Rua Antero de Quintal, entre o Intendente e o Martim Moniz. As bicicletas terão de partilhar a via com o restante tráfego durante alguns metros. A linha do eléctrico será desviada, prevendo-se uma interrupção do 28 durante um máximo de cinco dias.

Condicionamentos na Avenida Almirante Reis (imagem via CML)

As obras na Almirante Reis estavam previstas arrancar ainda em Outubro, não se sabendo se o calendário será mantido. A conclusão está apontada para Julho de 2024.

Vista geral dos condicionamentos na Avenida Almirante Reis (via CML)

Em detalhe:

  • numa primeira fase, e durante a noite, será feito um desvio das primeiras infraestruturas de electricidade e telecomunicações, prevendo-se que estes trabalhos durem 40 dias;
  • numa segunda fase, a Carris irá fazer o desvio dos carris do eléctrico 28, devendo este passo demorar também cerca de 40 dias. Nesta fase será necessário interromper a circulação do 28 durante um máximo de cinco dias;
  • de seguida, vai iniciar-se o desvio do trânsito, da operação do eléctrico e da pista ciclável – as bicicletas passarão a partilhar a via com os restantes veículos. Serão desviadas as infraestruturas de água, electricidade, gás, saneamento e telecomunicações. Vai ser colocado um tapume no separador central e vai começar a ser preparado os desvios nos passeios – num troço, será feito um desvio da circulação pedonal com uma passagem superior provisória, que não deverá ser acessível a pessoas com mobilidade condicionada. Na zona da obra, vão ser colocadas as estacas necessárias aos trabalhos A duração desta terceira fase estima-se em cerca de 80 dias;
  • a quarta fase consiste na execução da obra, estimada para o período entre Março de 2023 e Julho de 2024 – um total de 16 meses. Será sempre mantido acesso a habitações, lojas e garagens, bem como o estacionamento de moradores.
Condicionamentos na Avenida Almirante Reis (imagem via CML)

O que vai acontecer na Avenida da Liberdade?

A obra de drenagem na Avenida da Liberdade irá acontecer no quarteirão abaixo da Rua Alexandre Herculano, em diferentes fases. Vai condicionar a circulação nos passeios e nas vias laterais da avenida mais icónica de Lisboa, mantendo-se a circulação de autocarros e de bicicletas durante todas as fases de obra.

A primeira fase de condicionamentos na Avenida da Liberdade (imagem via CML)
A primeira fase de condicionamentos na Avenida da Liberdade (imagem via CML)

Em detalhe:

  • numa primeira fase, que durará 18 meses (o total de duração da obra), será encerrada a circulação na via lateral descendente (lado esquerdo a descer a avenida). A circulação pedonal será mantida junto às lojas, uma vez que toda a outra zona de passeio estará condicionada. As bicicletas que seguem na via 30+bici poderão utilizar o mesmo percurso. A actual via lateral descendente, no quarteirão entre a Rua Alexandre Herculano e a Rua Barata Salgueiro, passará a ter dois sentidos com a remoção do estacionamento à superfície;
A primeira fase de condicionamentos na Avenida da Liberdade (via CML)
  • nas segunda e terceira fases, com duração de quatro semanas cada, haverá novos estaleiros de obras que, no entanto, não trarão novas alterações às dinâmicas de mobilidade já implementadas na primeira fase;
  • nas quarta, quinta e sexta fases, durante o período nocturno apenas e durante seis semanas, haverá obras na parte central da avenida;
  • nas sétima e oitava fases, durante o período diurno e quatro semanas, vai ser preciso condicionar a circulação de automóveis e autocarros no corredor central da avenida, reduzindo momentaneamente de duas para uma via descendente e de três para duas vias ascendentes;
  • as nona e décima fases trarão a obra de drenagem para o outro lado da avenida, ocupando primeiro uma parte do passeio, deixando a circulação na via lateral ascendente liberta (seis semanas). Depois, e durante 12 semanas, o corte da via lateral descendente será total, mantendo-se a circulação pedonal e ciclável junto ao espaço das lojas disponível.
A décima fase de condicionamentos na Avenida da Liberdade (via CML)

Prevê-se que os trabalhos na Avenida da Liberdade se iniciem em Janeiro de 2023 e terminem em Julho de 2024, num total de 18 meses. A nona e décima fases deverão decorrer apenas entre Agosto e Dezembro do próximo ano. Note-se que os condicionamentos da primeira fase vão durar os 18 meses e serão sobrepostos às implicações das outras fases, que decorrerão de forma sucessiva.

A décima fase de condicionamentos na Avenida da Liberdade (imagem via CML)

O que vai acontecer em Santa Apolónia?

Santa Apolónia será também uma das principais frentes de obra na execução dos túneis de drenagem. A instalação do estaleiro está prevista para este mês de Outubro ainda e terá um total de quatro fases, estando garantidas as circulações automóvel, ciclável, pedonal e de transportes públicos em qualquer momento da obra, que se prolongará até Março de 2025.

  • numa primeira fase, entre Outubro de 2022 e Agosto de 2023 (11 meses), será encerrada a Rua Museu da Artilharia, onde será possível circular apenas a pé, e existirão alterações na Avenida Infante Dom Henrique. O tráfego ciclável será transferido para junto do rio, onde se manterá ao longo de toda a obra. Numa segunda fase, entre Setembro de 2023 e Novembro de 2023 (dois meses), o estaleiro da obra irá crescer, sem, no entanto, alterar significativamente as dinâmicas de mobilidade geradas pela primeira fase;
  • na terceira fase, entre Dezembro de 2023 e Outubro de 2024 (11 meses), vai começar a desenhar-se a futura rotunda de Santa Apolónia com novas alterações na dimensão e estrutura do estaleiro da obra. Na quarta fase, entre Novembro de 2024 e Março de 2025 (quatro meses), há uma nova mudança no estaleiro e na definição da futura navegação automóvel naquela zona; o tráfego ciclável regressará ao seu local original.
A futura Praça de Santa Apolónia (via CML)

Após as obras de drenagem, Santa Apolónia irá ganhar uma nova praça. O projecto inclui a construção de uma rotunda, a introdução de carris para o prolongamento do eléctrico 15 e novos espaços verdes. A nova praça de Santa Apolónia deverá ser construída com a requalificação da Avenida Infante Dom Henrique.

Podes saber mais sobre as obras em Santa Apolónia aqui.


O que vai acontecer noutros lados?

As obras de drenagem também terão impactos na Rua de Campolide, na Rua de Santa Marta/Rua Barata Salgueiro, em Chelas e no Beato. Na documentação em baixo, poderás ficar a conhecer em maior detalhe o que está previsto nestas zonas.

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