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Divulgado primeiro estudo sobre mobilidade sustentável no ensino superior português

Trata-se de um primeiro diagnóstico que, apesar de ter imperfeições, ajuda a compreender os hábitos de mobilidade da comunidade académica em Portugal, quer de alunos, quer de funcionários.

Fotografia de Lisboa Para Pessoas

É um “primeiro diagnóstico”, com falhas ao nível da amostragem, pelo que “os resultados devem ser interpretados com cautela”. O primeiro Estudo sobre Mobilidade Sustentável no Ensino Superior Português foi publicado e apresentado nesta sexta-feira, 3 de Março, pela Rede Campus Sustentável (RCS), que reúne académicos de diferentes instituições do ensino superior (IES) em torno das questões da mobilidade e sustentabilidade.

Estudo sobre Mobilidade Sustentável no Ensino Superior Português (via RCS)

Este estudo pretende ser um registo bianual das escolhas de mobilidade no contexto universitário e politécnico, tendo, nesta primeira tentativa, havido uma falha ao nível da amostragem. O trabalho envolveu um número limitado de instituições de ensino superior (dado que “nem todas as instituições contactadas aceitaram participar”, pode ler-se no relatório) e com “taxas de resposta muito variáveis” (pois “nem todas as amostras são representativas” da dimensão das instituições correspondentes). Por isso, os resultados “apenas representam o comportamento de quem aceitou responder e não de toda a comunidade académica”.

Ao todo, participaram 16 instituições de ensino superior, entre universidades e politécnicos, correspondendo a uma população total de aproximadamente 180 mil pessoas. Em Lisboa, apenas a Escola Superior de Enfermagem de Lisboa (ESEL) e a Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (FCUL) se envolveram. Os dados foram recolhidos através de um inquérito online realizado no primeiro semestre de 2022, tendo sido obtidas respostas de mais de 4 mil pessoas do universo de 180 mil; as taxas de resposta por instituição variam entre os 0,2% e os 14%, o que “impõem alguma cautela na interpretação dos resultados”. “Mesmo assim foi possível uma primeira abordagem na compreensão dos hábitos de mobilidade da comunidade académica constituída por alunos e funcionários”, pode ler-se no relatório.

De um modo global, verificou-se que o automóvel é o modo mais usado para as deslocações de casa para as instituições de ensino superior (IES), sendo a alternativa mais popular os transportes públicos. A maioria das viagens demoram menos de 30 minutos e uma parte considerável delas inferiores a 5 km, havendo oportunidade para serem substituídas por modos como a bicicleta. A maior parte das pessoas inquiridas não paga por estacionamento na sua universidade ou politécnico ou paga um valor mensal inferior a 10€.

De realçar, que o inquérito envolveu tanto estudantes como funcionários das instituições de ensino superior, sendo que a amostra tem uma representação semelhante de funcionários (51%) e estudantes (49%); entre os estudantes inquiridos, a maior parte está no grau académico de licenciatura ou mestrado integrado e entre os funcionários inquiridos, a maior parte é docente. A maioria da amostra é feminina.

Eis os principais dados:

  • Sem surpresas, o automóvel é o modo mais usado para as deslocações de casa para as universidades e politécnicos (52%). Bicicleta representa apenas 3%, e o andar a pé 14%. Transportes públicos representam a restante fatia;
  • As principais razões de escolha do modo de transporte são conveniência (21%), tempo (17%), disponibilidade (14%) e custo (13%). Destaca-se ainda a saúde como razão mais importante nos modos activos (17% a pé e 20% de bicicleta), assim como a importância do custo (mais baixo) dos transportes coletivos (autocarro 30% e comboio 32%);
  • Os transportes públicos são a alternativa preferida para as deslocações de casa para as instituições de ensino superior (48%). O metro é o modo de transporte com maior preferência na amostra global. A bicicleta é a alternativa de 13%. Esta aparece com níveis de preferência semelhantes a outros modos de transporte correntemente usados como o andar a pé ou o carro, sugerindo um potencial de crescimento para este modo;
  • A maioria das viagens diárias (62%) para as instituições de ensino superior demora menos de 30 minutos. A maioria das viagens tem entre 5 minutos e meia hora, 29% na classe entre 5 e 15 minutos e 29% na classe entre 15 e 30 minutos;
  • A maioria das viagens diárias (65%) correspondem a menos de 15 km. Existe um número considerável de viagens com menos de 5 km (31%);
  • A maior parte da comunidade académica chega às instituições de ensino superior antes das 9 horas e sai antes das 18 horas;
  • Nas deslocações, a maior parte da comunidade académica (67%) realiza outras actividades. De salientar que a atividade mais realizada em todas as viagens para todas as instituições de ensino superior, excepto para a FCUL, é fazer compras;
Fotografia de Lisboa Para Pessoas
  • A maioria dos inquiridos respondeu que possui viatura própria e 68% dos inquiridos que respondeu afirmativamente que possui viatura automóvel indicou que a usam para as deslocações para e das instituições de ensino superior. A idade média do automóvel é de 11,6 anos e mais de metade tem automóveis a gasóleo (55%);
  • A maior parte das pessoas que usam o automóvel como meio de transporte principal não partilha a viagem. As instituições de ensino superior com maiores taxas de partilha rondam os 20%;
  • A maior parte das pessoas que usa o automóvel como meio de transporte principal não paga estacionamento. Nas instituições perto de eixos rodoviários movimentados (como na cidade de Lisboa), o estacionamento é quase sempre pago. O custo mensal de estacionamento é inferior a 10 € para a maioria dos que pagam estacionamento. Dos inquiridos que pagam estacionamento, apenas 11% paga um valor superior à 40 € por mês.

De seguida, podes ver os dados sobre as duas instituições de Lisboa que participaram:

“Apesar do domínio do automóvel na escolha modal, quando se trata da escolha desejada (esteja esta disponível ou não), há uma preferência pelo uso de transporte público (47%), seguida pelos modos não motorizados (28%), com o automóvel a reunir a menor proporção de preferência (23%)”, é referido no relatório. “Assim, apesar da realidade actual mais dependente do automóvel, parece haver predisposição da comunidade universitária para escolhas modais mais sustentáveis”, escreve ainda o grupo de trabalho da Rede Campus Sustentável (RCS) que desenvolveu este trabalho. O grupo pretende usar os dados do inquérito “para análises mais aprofundadas”, “estando em produção um conjunto de publicações científicas”. Qualquer comentário ou sugestão para próximas edições deste estudo poderão ser feitas por e-mail para [email protected].

A equipa da RCS pretende repetir este estudo a cada dois anos, tendo uma segunda edição prevista já para 2024. Com um trabalho continuado, pretendem uma “avaliação da evolução do panorama nacional ao longo do tempo”, sendo que, “para o sucesso desta iniciativa”, será preciso “alargar o envolvimento das IES e das comunidades académicas”.