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Pavimento da Rua do Arsenal alterado depois de notícia do LPP

A Rua do Arsenal reabriu ao trânsito rodoviário totalmente alcatroada. Projecto inicial previa manter os cubos e paralelos de granito com uma nova base de assentamento.

A Rua do Arsenal tem agora asfalto em vez de empedrado (fotografia LPP)

Está concluída e reaberta a circulação rodoviária na Rua do Arsenal e no topo norte da Praça do Comércio, depois de quatro meses de obras de reparação dos pavimentos. O projecto de execução original sofreu alterações, depois da notícia do LPP, com o pavimento da Rua do Arsenal a ser alterado de paralelepípedos para asfalto. Na Praça do Comércio, foi mantido o empedrado, que foi reposto com um novo assentamento mais resistente.

A Rua do Arsenal e o topo norte da Praça do Comércio tinham sido requalificadas em 2016, juntamente com a Rua da Alfândega, num projecto de espaço público assinado pelo arquitecto Bruno Soares. Com um piso composto por cubos e paralelos de granito, colocados sob uma fraca base de assentamento, os arruamentos em causa sofreram ao longo dos anos abatimentos graves, causando desconforto aos passageiros dos autocarros que por ali circulam e danificando também os próprios veículos.

O pavimento da Rua da Alfândega, contígua à Rua do Arsenal, foi rectificado em 2021 numa empreitada com carácter de urgência – nessa rua, foi mantida a “cobertura” de empedrado de granito, mas colocou-se uma nova base de assentamento composta por uma camada de microbetão para regularizar a plataforma existente, uma camada em agregado britado de granulometria extensa tratado com cimento, uma camada em macadame betuminoso, uma camada de argamassa seca de cimento e areia do rio lavada.

Detalhe da nova solução de assentamento (via CML)

O mesmo assentamento estava previsto para a Rua do Arsenal, mas o projecto de execução foi alterado durante a obra e toda a rua conta agora com um piso asfaltado. Ao mesmo tempo, o troço dessa rua que já tinha alcatrão de origem – e que apresenta já várias imperfeições – não foi corrigido. No topo norte da Praça do Comércio, foi mantido o piso de cubos e paralelos mas com o novo assentamento já referido; também aqui, o pavimento rodoviário não foi intervencionado na totalidade, pelo que permanecem partes com abatimentos.

No conjunto, a reparação custou perto de 500 mil euros aos cofres da autarquia e foi executada pela empresa Protecnil. A reparação da Rua da Alfândega tinha custado, em 2021, cerca de 220 mil euros. Contas feitas, a correcção de um problema de mau assentamento custou à cidade de Lisboa perto de 720 mil euros. A requalificação destes arruamentos em 2016 tinha sido enquadrada em pacotes mais amplos de espaço público: a Rua do Arsenal foi incluída no pacote de 3,2 milhões de euros de requalificação do Cais do Sodré, e a Rua da Alfândega fez parte da renovação de 8,8 milhões de euros do Campo das Cebolas.

As ruas do Arsenal e da Alfândega, tal como a Praça do Comércio, contam com um elevado trânsito de autocarros. Por aquele corredor BUS, passam 10 carreiras de autocarro da Carris, três carreiras da Rede Noturna e ainda o eléctrico 15. Com a conclusão da empreitada, estes serviços regressaram àquela zona, deixando de circular pela Ribeira das Naus.

Resta agora saber como evoluíram os pavimentos das ruas reparadas com o passar do tempo, mas perspectiva-se que, pelo menos, a nova solução alcatroada na Rua do Arsenal venha a ser mais resiliente. Em Março, Gonçalo Matos, representante da associação de moradores Vizinhos Em Lisboa, defendia ao LPP o alcatroamento de todo aquele eixo em detrimento da opção de empedrado. “Foi tudo pensado para a estética, mas não para a sobrecarga inerente a um importante eixo exclusivo para BUS”, comentou a propósito do projecto original do arquitecto Bruno Soares. “Quando vês os pormenores construtivos da rua no projecto inicial da empreitada, percebes que a base de assentamento, em cima da qual foram postos os paralelepípedos, tem materiais possíveis de abater”, explicava Gonçalo, na altura. “O piso da Rua da Alfândega tinha abatido de tal maneira que já não passavam autocarros. Por isso, foi feita uma empreitada por ajuste directo, ao abrigo do Estado de Necessidade.”

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