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Assim vai ser a futura Praça do Martim Moniz

Projecto da nova Praça do Martim Moniz foi seleccionado através de concurso de ideias e pertence ao atelier de arquitectura paisagista de Filipa Cardoso de Menezes e Catarina Assis Pacheco.

Imagem ilustrativa da nova Praça do Martim Moniz (via F|C Arquitectura Paisagista/CML)

Já é conhecido o resultado do concurso de ideias lançado há cerca de um ano para a Praça do Martim Moniz. As primeiras imagens do projecto vencedor mostram uma ampla praça pedonal e verde que se liga com a Mouraria e que promete criar uma nova centralidade na cidade, às portas da Baixa. A circulação rodoviária será reformulada para ficar condicionada apenas a um dos lados da praça. E haverá uma nova rotunda.

O projecto foi elaborado pelo atelier das arquitectas paisagistas Filipa Cardoso de Menezes e Catarina Assis Pacheco, que respondeu ao desafio da Câmara de Lisboa de idealizar um jardim naquela zona da cidade, depois de a ideia de Manuel Salgado para a requalificação da praça ter sido rejeitada pela população e de ter sido feito um ainda longo processo participativo. O trabalho de Filipa e Catarina ficou em primeiro lugar no concurso de ideias e, por isso, vai ser premiado com 36,9 mil euros (IVA incluído).

Imagem ilustrativa da nova Praça do Martim Moniz (via F|C Arquitectura Paisagista/CML)

Agora, a dupla de arquitectas vencedora irá ficar responsável pela elaboração do projecto de execução, isto é, do projecto mais pormenorizado da obra, para que possa depois ser lançado o concurso público para a realização dessa empreitada. A expectativa é que o novo Martim Moniz seja uma realidade na primeira metade de 2026.

O projecto do atelier de Filipa Cardoso de Menezes e Catarina Assis Pacheco – F|C Arquitectura Paisagista – foi realizado com base numa série de premissas entregues pela Câmara de Lisboa às arquitectas: pretendia-se um jardim aberto e sem barreiras, que promovesse o encontro entre todos os cidadãos, que se ligasse de forma coerente com a envolvente, e que privilegiasse a circulação pedonal, contribuísse para um ambiente menos ruidoso e mais saudável, e fosse adaptado aos desafios das alterações climáticas. A proposta apresentada pelas duas arquitectas responde a essas premissas da seguinte forma:

  • a praça do Martim Moniz deixará de estar rodeada por infraestrutura rodoviária, passando a estar “encostada” à zona da Mouraria, do Centro Comercial e da Capela de Nossa Senhora da Saúde. A Rua da Palma vai, assim, ser prolongada com duas vias por sentido, sendo uma dessas vias corredor BUS/linha de eléctrico. A ciclovia da Avenida Almirante Reis continuará por esta “nova” Rua da Palma – que terá um separador verde central –, mas em canal bidireccional, junto à praça, ligando-se, como já acontece hoje, à Praça da Figueira. O novo prolongamento da Rua da Palma terá “duas generosas passadeiras, de atravessamento a dois tempos, melhorando-se a circulação pedonal”. No topo norte da Rua da Palma, onde esta encontra o Martim Moniz, será introduzida semaforização e será feita uma “revisão do traçado viário” e das ligações com os outros arruamentos, “desincentivando a entrada no centro histórico, mas viabilizando as ligações necessárias”;
Planta geral da intervenção proposta (via F|C Arquitectura Paisagista/CML)
  • na zona central da praça será criado “o novo jardim do centro histórico”, um espaço que se quer “confortável e abrigado, aberto sobre a colina da Mouraria”, mas também “permeável e naturalizado, destacado e protegido do ruído da cidade”. Pretende-se criar uma “estrutura verde generosa e consistente, alternando momentos de bosque/clareira, num contraste de sombra/sol, gerando ambientes diversificados”. O jardim oferecerá vários percursos pedonais, terá um parque infantil inclusivo (que será desenhado com os contributos da população), e também oferecerá uma área de cafetaria e esplanada com instalações sanitárias públicas. A cafetaria terá, na sua cobertura, um miradouro “sobre o jardim e praça, aberto à colina da Mouraria, com o Castelo de São Jorge em pano de fundo”;
  • a parte central da praça do Martim Moniz e toda a área em torno do Centro Comercial da Mouraria e da Capela de Nossa Senhora da Saúde passarão a estar interligados por uma “zona exclusivamente pedonal, ampla, versátil e livre de obstáculos” e onde será criado um “generoso anfiteatro virado para a colina da Mouraria”. Este anfiteatro irá servir de “elemento de transição da cota da praça para a cota do jardim”, e que terá “lances de escadas confortáveis e eficientes” e “um conjunto de bancadas longilíneas”. Já a envolvente da Capela e do Centro Comercial será dignificada “com plantação de árvores em caldeira e integração de jogos de água (repuxos embutidos no pavimento)”. A praça pedonal terá uma excepção: no topo norte, será delimitada uma área de apoio ao Centro Comercial para cargas e descargas, e acesso de veículos condicionado. Existirão outros pontos para cargas e descargas ao longo da praça, mas nenhuma área de estacionamento à superfície;
Imagem ilustrativa da nova Praça do Martim Moniz (via F|C Arquitectura Paisagista/CML)
  • as Escadinhas da Saúde, a escadas rolantes que ajudam a vender o desnível na colina da Mouraria, vão ter uma “irmã” no lado oposto, mais concretamente na Travessa da Palma, onde é possível encontrar a histórica Torre do Jogo da Pêla. Será feita uma “requalificação integral” desta travessa com a “reabilitação e beneficiação das áreas verdes” existentes e a criação de pequenos “núcleos de estadia/miradouros”. As escadas rolantes aqui instaladas permitirão vencer a colina de Santana e aceder à Rua do Arco da Graça. Na Rua da Palma, entre estas escadas rolantes e a praça, será desenhada uma “grande passadeira pedonal de atravessamento”, para permitir uma “ligação acessível” não só ao jardim central, mas também à Capela e às Escadinhas da Saúde do outro lado da praça;
  • a revisão do esquema viário vai obrigar à criação de uma nova rotunda a sul do Martim Moniz, “desenhada com duas vias de circulação, de forma a garantir as inversões de marcha e o acesso ao Hotel Mundial”. Uma das vias será para autocarros e eléctrico. Nesta zona, o pavimento passará a “cubo de calcário, marcando a chegada ao centro histórico, privilegiando o peão e estabelecendo uma relação matérica com a Rua Barros Queiroz e o Largo de São Domingos”. No centro, a rotunda terá uma “zona verde sobrelevada e modelada, com integração de maciço de árvores existentes”.

“Numa desconstrução da “ilha” central, remodela-se o sistema de circulação viária da praça, onde convergem diversos meios de transporte, e propõe-se a reposição do traçado integral da antiga rua da Palma, devolvendo-lhe a importância do passado. Esta rua volta a existir em todo o comprimento, passando a ser o eixo exclusivo de circulação do trânsito no Martim Moniz”, pode ler-se na proposta vencedora, que podes ler em detalhe aqui:

O projecto do atelier de Filipa Cardoso de Menezes e Catarina Assis Pacheco esteve calendarizado para ser discutido e votado na reunião de Câmara desta quarta-feira, 8 de Novembro, através de uma proposta formal submetida pela Vereadora do Urbanismo, Joana Almeida. No entanto, esse momento acabou por ser reagendado para a próxima reunião de dia 22 de Novembro, a pedido de alguns vereadores da oposição, que quiseram ter mais tempo para analisar toda a informação disponibilizada.

Por ter tido o seu trabalho em primeiro lugar, a F|C Arquitectura Paisagista, para além de receber agora 36,9 mil euros de prémio, fica agora encarregue de desenvolver a ideia por si apresentada, elaborando o pormenorizado projecto de execução – para essa tarefa, terá 531,36 mil euros (IVA incluído), que serão liquidados entre 2024 e 2026. O trabalho em segundo lugar receberá um prémio de 25 mil euros; os trabalhos em terceiro, quarto e quinto lugares vão receber 18 mil euros cada. Na reunião de Câmara de 22 de Novembro, os vereadores da oposição deverão aprovar a decisão de distribuir estes prémios e de contratar o atelier de Filipa Cardoso de Menezes e Catarina Assis Pacheco para dar continuidade a este projecto.

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