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Um jornal em papel, porquê?

Continuo a achar que há futuro num jornal que tem uma edição online, contínua, e uma edição em papel, que é impressa de tempos em tempos, por exemplo, trimestralmente. É este modelo que vamos seguir no LPP / Lisboa Para Pessoas.

Parque Ribeirinho Oriente, Lisboa (fotografia LPP)

O digital passou a fazer parte das nossas vidas há décadas, mas cada vez mais temos vindo a questionar a sua presença tão alargada e exaustiva. Começámos a olhar para o tempo de ecrã, a experienciar a nossa vista cansada, e a sentirmo-nos esgotados com tanta notificação, feed, interacção, discussão. Começámos a procurar espaços digitais mais tranquilos, a ter mais atenção ao tempo que passamos online, ao número de redes sociais em que estamos, e a olhar de forma diferente para o papel.

Acredito – e sempre o disse – que o papel continuará a ter o seu espaço e importância na sociedade enquanto veículo de comunicação. Seja o cartaz que afixamos na rua a divulgar uma dada iniciativa, seja o caso que mais nos interessa aqui: o jornal. Um jornal em papel pode ser deixado numa mesa de café para outra pessoa pegar nele. Pode ficar esquecido num banco do comboio ou do jardim. Um jornal em papel nunca fica sem bateria, pode ser lido sem distracções e não nos cansa a vista.

Continuo a achar que há futuro num jornal que tem uma edição online, contínua, e uma edição em papel, que é impressa de tempos em tempos, por exemplo, trimestralmente. É este modelo que vamos seguir no LPP / Lisboa Para Pessoas. Desde 2021 que temos em lisboaparapessoas.pt um noticiário dedicado à cidade de Lisboa e, cada vez mais, à área metropolitana. A linha editorial é centrada nas pessoas e nos vectores da mobilidade, habitação, cidadania e sustentabilidade – olhamos, através das histórias, reportagens, entrevistas e crónicas que publicamos, de segunda a sexta, para a forma como nos deslocamos, como habitamos os nossos territórios, como nos envolvemos na Democracia local e como vivemos as nossas cidades, vilas, aldeias, bairros, ruas.

O nosso âmbito é metropolitano. Não acreditamos numa Lisboa que termina nas fronteiras do seu concelho, mas antes numa visão metropolitana de Lisboa, com diferentes centralidades, interligadas entre si. Com a edição online e agora também com este jornal em papel, queremos quebrar mitos de que as distâncias são longas e atravessar o rio as vezes que forem precisas. Queremos promover uma vivência intermunicipal, em que nos deslocamos pela área metropolitana para aceder não só ao emprego e à habitação, mas também ao comércio, ao lazer e à cultura, sem pensar em barreiras geográficas ou limites administrativos. Queremos que o Jornal LPP e a edição online dialoguem e se complementem, assentes nesta visão editorial.

Decidir fazer um jornal em papel foi fácil, mas a execução deste projecto acabou por representar um enorme desafio. Tivemos de definir e de redefinir o produto, pensando na estrutura e nos conteúdos que queríamos ter e que faziam sentido numa edição imprensa. Tivemos de pensar no alinhamento e de produzir esses artigos. Tivemos de analisar diferentes orçamentos e tipos de papel; de calcular o custo de produção e, a partir dele, definir o preço de venda; e tivemos de organizar um modelo de distribuição. Enquanto algumas destas tarefas iam decorrendo, tivemos de abrir o software de paginação e de começar a digitalizar as ideias, os artigos e o jornal propriamente dito, procurando referências técnicas e de design como inspiração. O resultado que agora apresentamos é parte de um processo que ainda não está fechado. Temos a certeza de que falhámos muito, de que este número poderia estar melhor. Mas assumimos esse risco, porque quisémos desenvolver uma edição-piloto para testar o Jornal LPP antes do “primeiro número a sério”, já em Março. Quisemos, propositadamente, sentir a dificuldade do processo e limar arestas.

Este processo não será desligado dos nossos leitores: sendo o LPP um jornal comunitário, que reconhece a importância de colaborar com a sua audiência, disponibilizamos um questionário online para que nos digam o que acharam. Partilhem aquilo de que gostaram e também aquilo de que não gostaram, para que possamos reflectir esse feedback na próxima edição.

O Jornal LPP terá quatro números por ano: em Março, em Junho, em Setembro e em Dezembro. Cada número terá os melhores conteúdos do trimestre anterior mas também artigos inéditos e novidades que vamos preparando para cada edição – como pequenos jogos e destacáveis. Teremos uma rubrica regular do Fazer Cidade, um colectivo informal que quer pensar e fazer outras formas de cidade, não só em Lisboa como por toda a área metropolitana, ajudando a alargar os horizontes de todos nós. Teremos algumas histórias e reportagens de diferentes partes desta Lisboa Metropolitana, em que procuraremos responder ao desafio da representatividade. E contaremos, em cada número, com uma grande entrevista para ler com calma, sublinhar e guardar. Vamos ter alguma actualidade, incluindo uma secção de curtas.

Mais do que um jornal de actualidade, queremos que o Jornal LPP seja uma forma de socializar uma atitude, de gerar uma conversa, de viver a área metropolitana. Olhamos para este jornal também uma forma de cidadania, porque acreditamos que a informação é uma ferramenta poderosa para construir comunidades mais informadas e interligadas. É por isso que pensámos este jornal com maior qualidade, num bom papel e com uma boa impressão. Este não é um jornal para ler e deitar fora; é um jornal para resistir ao tempo e se manter útil.

Como já referido, a próxima edição do Jornal LPP sairá em Março, dentro de pouco tempo. Podem já ir a lisboaparapessoas.pt/jornal fazer uma assinatura dos próximos quatro números. Podem também fazer uma subscrição digital, que dará acesso a todo o arquivo do Jornal e a outros benefícios do LPP. E podem, também nessa página, preencher o questionário para sabermos como melhorar daqui para a frente. Esperemos que gostem do Jornal LPP e que o partilhem com as pessoas de quem mais gostam, ou que o deixem na mesa de um café ou no banco do autocarro para alguém que não conhecem.

Por último, faço um agradecimento muito especial às mais de 200 pessoas que, ao participarem na campanha de pré-venda, ajudaram a que este primeiro Jornal LPP existisse. O nome de algumas dessas pessoas está gravado última página gravado, para sempre.

Obrigado e até já!