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Marvila cansada de ver o comboio passar

A freguesia de Marvila tem sido deixada para trás nas políticas de mobilidade de Lisboa. A maioria dos comboios não pára no apeadeiro central da freguesia e ao fim-de-semana não os há. Os autocarros não respondem às necessidades dos moradores e as bicicletas GIRA não têm ainda espaço em nenhuma parte de Marvila. Um grupo de cidadãos decidiu pôr as mãos na massa e apresentar um documento de propostas à Câmara e a quem mexe na freguesia.

Da esquerda para a direita: Luís, Adelino, Henrique, Paulo e Ernesto (fotografia LPP)

Estamos na estação de comboios de Marvila – que, na realidade, é apenas um apeadeiro. É uma manhã de inverno, nublada e fria. É dia de semana, por isso, há comboios a passar e a parar. Num fim-de-semana, só os veríamos passar. Marvila está inserida numa das linhas ferroviárias mais movimentadas do país, onde circulam não só todos os comboios do eixo de Sintra, como os que fazem a “coroa” de Lisboa, ligando as partes ocidental e oriental da cidade, e também os concelhos de Loures e Vila Franca de Xira. Poderia, por isso, ser uma das freguesias mais bem servidas por transporte público. Mas acontece o contrário.

“O apeadeiro é emblemático da pobreza da mobilidade em Marvila. Até pelo frio que se faz sentir enquanto aqui estamos”, diz-nos Henrique Chaves. “Faltam todos os serviços a que estamos habituados que uma estação ou mesmo um apeadeiro tenha”, como sinalética, painéis digitais de informação ao público, uma bilheteira automática, bancos confortáveis e até caixotes de lixo (há apenas um). “Ao fim-de-semana já vi aqui pessoas à espera, sem saber que nenhum comboio ia parar, precisamente porque não existe nenhuma indicação.” Henrique está a fazer uma tese de doutoramento sobre os movimentos sociais de bairro em defesa da mobilidade urbana activa e justa, tendo Marvila como principal território de estudo. Colabora com a associação Rés-do-Chão, que tem feito trabalhos de arquitectura e de participação em Marvila, e está envolvido em grupos comunitários como o 4Crescente. Em 2022, apresentou o Estudo Participativo sobre Mobilidade em Marvila, um aprofundado diagnóstico das carências da freguesia.

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