Dia 19, ciclistas vão juntar-se para reclamar uma Almirante Reis e uma cidade para todas as pessoas

Para o próximo dia 19 de Outubro, às 18 horas, está previsto um percurso de bicicleta com teor de manifestação pela ciclovia da Avenida Almirante Reis.

Fotografia cortesia de Laura Alves

Durante a sua campanha eleitoral, Carlos Moedas fez questão de repetir: a ciclovia da Almirante Reis é para acabar. Já no programa apresentado pela candidatura dos Novos Tempos a Arroios, encontra-se inscrita a proposta de uma “intervenção de fundo na Avenida Almirante Reis que suporte uma ciclovia bem planeada e melhor executada”. De uma forma ou de outra, a solução pop-up instalada naquela avenida poderá ser removida enquanto se prepara o projecto definitivo de requalificação, mas os ciclistas prometem dar luta. Moedas comprometeu-se também com uma política de continuidade e de diálogo.

Para o próximo dia 19 de Outubro, às 18 horas, está previsto um percurso de bicicleta com teor de manifestação pela ciclovia da Avenida Almirante Reis. O ponto de encontro será na Praça do Martim Moniz, sendo que a volta irá envolver a subida da avenida, a sua descida-la, e irá terminar na Praça do Município, em frente à Câmara Municipal de Lisboa, onde Moedas já terá o seu gabinete (a tomada de posse é no dia anterior).

A manifestação está a ser convocada através das redes sociais e é organizada pelo movimento Massa Crítica Lisboa. Podes encontrar o evento no Facebook aqui. “Junta-te, por uma cidade mais saudável e justa para todas as pessoas”, lê-se no convite feito.

O passeio/manifestação pela Almirante Reis é sobre esta ciclovia em específico, mas também sobre outras ciclovias da capital. A organização refere que a rede ciclável de Lisboa levou “o seu tempo a trilhar e a consolidar” e que não podemos assistir “a um abrandamento súbito do que tem vindo a ser desenvolvido, pois a urgência das alterações climáticas já não o permite”. “No fundo, e em linha com tudo o que se tem feito nas principais cidades de todo o mundo e contribuindo também na resposta necessária aos graves e urgentes problemas ambientais que assolam todo o planeta, é hora de agir.”

“Independentemente da apreciação global, positiva ou negativa, que fazemos do trabalho da CML nos últimos anos, concordamos que têm sido criadas condições para que mais gente possa utilizar a bicicleta nas suas deslocações dentro da cidade”, refere a organização do passeio, que pretende ser uma demonstração pacífica e positiva. “Aproveitando a ocasião da recente eleição de um novo executivo para a cidade apelamos para que este conjunto de medidas, com vista à promoção de uma mobilidade sustentável, não só prossiga como se intensifique e melhore na sua qualidade de implementação.”

Em relação à Almirante Reis, a organização deste evento lembra que a Avenida Almirante Reis é, pelo seu baixo declive, a ligação com menos inclinação entre a parte alta e a parte baixa da cidade, duas das suas principais zonas a ribeirinha e do planalto central. Só de 2019 para 2020 foi registado um crescimento de 25% na globalidade da cidade e um aumento de 140% com a construção da ciclovia pop-up na Almirante Reis em Junho de 2020.

A organização explica também que a circulação de veículos de emergência melhorou com a implementação da ciclovia, a redução do perfil rodoviário veio mitigar o problema crónico do estacionamento abusivo em 2ª fila, os atravessamentos informais tornaram-se mais seguros para os peões e a segurança dos ciclistas aumentou indiscutivelmente. Refere ainda que aquela avenida era a via mais perigosa para utilizadores vulneráveis, com o maior número de peões atropelados do país, segundo dados do Observatório do ACP.

“É verdade que o tempo de deslocação em automóvel aumentou logo após a implementação da ciclovia, mas este reduziu passado uns meses” com a evaporação do tráfego – várias pessoas terão encontrado alternativas à Almirante Reis, lê-se no convite. “Há alternativas ao tráfego automóvel”, mas não há grandes alternativas ao restante tráfego (ambulâncias, autocarros, peões, bicicletas) e que, por outro lado, é importante dar visibilidade à bicicleta, não a colocando “na porta dos fundos, mas sim na avenida principal”.