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Promessa feita: GIRA em todas as freguesias (incluindo Marvila) até 2025

Até ao final do actual mandato, haverá estações GIRA em todas as freguesias de Lisboa, promete o executivo liderado por Carlos Moedas. “Sobre isso não há dúvida.”

Fotografia de Lisboa Para Pessoas

A GIRA deverá chegar a todas as 24 freguesias da cidade de Lisboa “até ao final do mandato”, revelou nesta quarta-feira o Vereador da Mobilidade, Ângelo Pereira, na reunião pública descentralizada dedicada às freguesias de Marvila e Alvalade. A promessa, a concretizar-se, significará a muito aguardada chegada das bicicletas públicas partilhadas da cidade a territórios que hoje estão fora da rede, nomeadamente a Marvila, até 2025.

“Este executivo definiu que as GIRAs iriam ter estações em todas as freguesias de Lisboa até ao final deste mandato. Estamos a preparar um plano de expansão para todas as freguesias”, referiu Ângelo Pereira, em resposta a um munícipe preocupado com a inexistência de estações GIRA em Marvila. “Em relação à freguesia de Marvila, temos neste momento apontadas quatro localizações mas que iremos apreciar em conjunto com a Junta de Freguesia a localização exacta”, adiantou o autarca, revelando essas quatro localizações já pensadas:

  • Braço de Prata / Parque Ribeirinho Oriente
  • Praça Davide Leandro da Silva
  • Metro de Chelas
  • ISEL

Desconhece-se se serão instaladas mais estações em Marvila além destas quatro.

“Olhando para o mapa de estações GIRA tenho grande dificuldade em compreender porque é que Marvila não tem nenhuma”, revelou o munícipe Ricardo Carvalho, adiantando que é importante que as estações fiquem perto “dos grandes centros habitacionais de Marvila”. O Presidente da Câmara de Lisboa, Carlos Moedas, reforçou a importância de a GIRA chegar a toda a cidade: “A minha visão e a minha ordem, se quisermos assim, em relação às GIRAs é que elas estejam em todas as freguesias, que isso aconteça e que as localizações sejam encontradas. Sobre isso não há dúvida.”

Marvila com pouca mobilidade suave

A inexistência de rede GIRA em Marvila tem sido uma questão recorrente, até porque existe nesse território apenas um operador privado de mobilidade suave a operar, deixando a população com menos opções. Das seis empresas presentes em Lisboa, só a Whoosh passou muito recentemente a operar em Marvila com as suas trotinetas; por seu lado, as trotinetas e bicicletas das empresas Bolt, Bird, Lime, LINK e Frog assinalam nas respectivas aplicações aquela freguesia como uma zona de estacionamento proibido, impedindo aí o término de viagens, e algumas dessas plataformas não permitem sequer a circulação dos veículos em Marvila, bloqueando o motor automaticamente à distância.

Imagem cortesia do Estudo Participativo sobre Mobilidade em Marvila

Na apresentação do Estudo Participativo sobre Mobilidade em Marvila, que decorreu nesta terça-feira à tarde na Biblioteca Municipal de Marvila, o assunto da GIRA foi tema recorrente ao longo do encontro. Recorde-se que este estudo apontou desigualdades na freguesia em relação ao restante território de Lisboa, não só ao nível da GIRA, mas também de ciclovias e de outro tipo de infraestrutura ciclável:

“É possível identificar diversos problemas relacionados com as infraestruturas de transporte em Marvila (…); porém, é importante reforçar que estes problemas se acentuam quando pensamos em mobilidade activa, desde a ausência em toda a freguesia de docas da bicicleta partilhada municipal GIRA até uma oferta diminuta de ciclovias face à realidade da cidade de Lisboa. Como Padeiro (2022) recentemente comprovou, cruzando dados socioeconómicos e de infraestruturas dedicadas a bicicletas (ciclovias e docas Gira), observa-se uma desigualdade na cidade no acesso a estes serviços, isto é, os territórios com índices socioeconómicos mais baixos têm menor (ou não tem de todo) acesso a estas infraestruturas.”

– Estudo Participativo sobre Mobilidade em Marvila
O plano de expansão da GIRA apresentado no PAO 2022-2025

A expansão da GIRA para todas as freguesias de Lisboa deverá ser um grande desafio que terá de vir acompanhado pela aquisição de novas bicicletas. Segundo o Plano de Actividades e Orçamento (PAO) 2022-2025 da EMEL, apresentado e aprovado em Janeiro, a empresa municipal de mobilidade previa um crescimento de 102 para 171 estações ao longo deste ano – um crescimento de 67% da rede. “Nos anos seguintes, o ritmo de expansão previsto é mais moderado, contemplando 20 novas estações por ano, lia-se no mesmo documento – contas feitas, dá cerca de 230 estações GIRA até 2025.

A EMEL espera arrecadar mais de 854 mil euros com a GIRA este ano, mas que, com a expansão da rede, em 2025 o sistema público de bicicletas partilhadas gere cerca de 1,25 milhões de receitas. Em relação a despesa, prevê-se um investimento de 1,44 milhões de euros em estações e de 1,38 milhões em bicicletas até ao final do mandato. Os números deverão ser revistos este ano na prevista actualização anual ao PAO.