Com a ligação à Linha de Cintura na gaveta, pensa-se agora em enterrar a Linha de Cascais

Projecto para a nova estação de Alcântara (imagem cortesia de NLA/divulgação)

Ligar a Linha de Cascais à Linha de Cintura, através de uma nova estação ferroviária em Alcântara, enterrada, é um projecto que tem vindo a ser falado há vários anos, tendo o actual Presidente da Câmara de Lisboa, Fernando Medina, sido defensor em diversas intervenções públicas dessa obra, que permitiria conectar a única linha ferroviária isolada do país à rede. Mas a ideia voltou para a gaveta, porque “entretanto, o mundo avança e as opiniões vão mudando”, comentou Medina na reunião pública da Câmara desta quarta-feira.

“Este é um daqueles projectos que década vai, década vem reaparece na pilha de cima ou desce na pilha dos sucessivos governos e sucessivas administrações da Infraestruturas de Portugal”, acrescentou. “A Câmara de Lisboa no tempo do meu antecessor, o Presidente António Costa, desenvolveu um esforço grande no sentido de esse projecto poder ter viabilidade. Existe, aliás, um projecto com declaração de impacto ambiental emitida e foi até feito um trabalho grande de integração da linha ferroviária de serviço ao Porto na Linha de Cintura. A Linha de Cintura liga actualmente as estações de Alcântara-Terra, onde permite receber através de uma ligação indirecta os passageiros da Linha de Cascais, e Lisboa-Oriente, onde se encontra com a Linha do Norte, cruzando ao longo do percurso a Linha de Sintra na estação de Campolide ou Sete Rios, ou a Linha do Sul em Entrecampos.

A ligação da Linha de Cascais à Linha de Cintura permitiria aos passageiros que viajassem de Oeiras ou Cascais aceder facilmente às zonas de trabalho da cidade a norte, através das estações existentes em Sete Rios, Entrecampos ou Roma-Areeiro, sem ter de passar pela Linha Verde do Metro de Lisboa e trocar, depois, para a Linha Amarela ou Azul – o que aliviaria a pressão sentida actualmente na estação do Cais do Sodré. No entanto, como explicou Medina, “o mundo avançou em diferentes sentidos” e um deles foi o projecto em andamento para a construção da linha circular do Metro de Lisboa que “resolve uma parte da questão central da integração da Linha de Cascais na Linha de Cintura, que é chegada rápida à parte central e norte da cidade de Lisboa sem transbordo ou com um transbordo”.

Paralelamente, está a ser trabalhado o prolongamento da Linha Vermelha a partir de São Sebastião para Campolide, com estação junto às Amoreiras, Campo de Ourique, Infante Santo e, por fim, Alcântara, e com integração quer ao futuro metro de superfície que ligará a Odivelas, quer ao eléctrico 15 que já circula em Lisboa – projecto do LIOS. Estes novos investimentos retiram “centralidade” à integração da Linha de Cascais na Linha de Cintura, referiu Medina, que neste momento não consegue “defendê-lo como um projecto prioritário”. “Dito de outra forma, já que o projecto custa 250 milhões de euros, há outras prioridades para fazer com os 250 milhões de euros do que fazer essa integração.”

O Presidente da Câmara de Lisboa admite ainda que a autarquia tem agora um entendimento diferente do que tinha no passado sobre esta obra, referindo que ela encerra em si uma “contradição”seria “muito difícil para não dizer quase impossível” fazer a integração das duas linhas ferroviárias sem diminuir a frequência dos comboios em circulação ou interromper a ligação ao Cais do Sodré, uma vez que “exigiria aumentar o material circulante que existe hoje ou duplicá-lo”. Não seria um projecto realista”, concluiu o autarca, em resposta na mesma reunião ao munícipe Gonçalo Matos (Vizinhos de Belém).

“Porque é que continua inscrito na lista do Plano Nacional de Investimentos? É uma boa pergunta. Quem anda nisto há muitos anos percebe que é o ir para cima e o ir para baixo na pilha. E por isso de vez em quando tem vontade de subir e outras vezes de descer, e o projecto nunca morre. Está a ficar como o Aeroporto”, comentou Fernando Medina.

A prioridade agora passa por enterrar a Linha de Cascais, “uma ambição antiga”. “A partir do momento em que fica estabilizado que o seu trajecto é o que existe e que não haverá integração na Linha de Cintura, não há razão nenhuma para não tratar do problema urbano que é a cidade estar cortada no acesso ao rio”, referiu Medina, acrescentando que “as passagens de nível que havia foram sendo encerradas ao longo das décadas” e que existem atravessamentos provisórios “há tempo a mais e que precisam de decisões de cada lado”. Medina anunciou que é possível agora “toda uma outra reflexão sobre a frente ribeirinha poente” e que, em breve, a Câmara irá falar publicamente sobre este tema.

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